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O impacto das últimas revoltas populares para os cristãos da Tunísia e Egito

Por Missão Portas Abertas - 21/3/2011

Quando o Presidente Ben Ali deixou a Tunísia, após uma revolta popular de uns poucos dias, a notícia se espalhou como um fogaréu por todo o Oriente Médio: governos impopulares podem ser derrubados. Muitos dos que ocupavam o poder ficaram imaginando o que viria a seguir, e não apenas os que estavam no poder. O Oriente Médio é o lar de uma minoria cristã de mais de 14 milhões de pessoas, a maior parte vivendo sob restrições severas, quando não debaixo de perseguição explícita. O que uma revolução política significa para estas pessoas?

Tunísia

O cristianismo histórico basicamente desapareceu da Tunísia há muitos séculos. Permaneceu apenas um pequeno remanescente de católicos romanos com vínculos com o passado colonial do país. Apenas recentemente o interesse dos tunisianos pelo cristianismo aflorou, da parte de pessoas com origens no islã. Ministérios cristãos de longo alcance, via internet ou TV por satélite, relatam um aumento impressionante do número de retornos e de respostas pela rede, vindos da Tunísia. Apesar disso, o número de tunisianos que, na verdade, mudou de opção religiosa do islã para o cristianismo tem sido modesto: estima-se que entre 1.000 e 1.500 convertidos.

Todavia, o regime de Ben Ali impôs um fardo pesado sobre essa minúscula comunidade. Os convertidos eram interrogados e submetidos a pressões para desistir de sua fé cristã. A importação de material cristão, ainda que em número reduzido, não era permitida.

Por todo o ano de 2010 até os turistas que viajavam com livros de conteúdo cristão tinham seus pertences confiscados, quando os agentes alfandegários detectavam qualquer vestígio de cristianismo neles.

A Tunísia tem uma população muito jovem, que geralmente não se sente atraída pelo islamismo radical. Liberdade de expressão e empregos é o que os jovens querem. Foi isso que iniciou a revolução na Tunísia. Na medida em que será a juventude quem vai determinar o futuro governo da Tunísia, pode haver esperança para a minoria cristã, como o respeito aos direitos das minorias: quaisquer que sejam elas – de gênero, opção sexual, filiação religiosa –poderão ser respeitadas. Felizmente, os islamitas não são fortes na Tunísia e Como resultado, a minoria cristã na Tunísia sonha com um futuro mais luminoso em prazo muito curto.

Egito

O Egito e a Tunísia podem ter duas coisas em comum: uma população jovem e insatisfeita e uma ditadura que durou décadas, mas fica por aí. Enquanto a Tunísia tem uma população relativamente pequena (10 milhões), o Egito tem a maior população árabe do mundo, mais de 80 milhões – cerca de 2,5 vezes o tamanho do segundo maior país de fala árabe.

Enquanto os fundamentalistas islâmicos são um grupo minoritário na Tunísia, a Fraternidade Muçulmana é de longe a maior, e possivelmente a única, oposição organizada no Egito. E existe a minoria cristã, praticamente inexistente na Tunísia, mas que no Egito são 10 milhões de pessoas. Na verdade, 2/3 de todos os cristãos do Mundo Árabe – desde a Mauritânia, no extremo oeste da África, até o Iraque, no leste – vivem no Egito.

A ditadura de Hosni Mubarak controlava a Igreja. Nas últimas três décadas, as igrejas tiveram permissão para existir, mas era apenas isso. Acesso restrito à mídia, nenhum direito de proclamar o evangelho fora de quatro paredes, restrições extremas quando se tratava da construção de novas igrejas (em bairros novos das cidades, por exemplo) ou simples reformas de templos eram apenas alguns dos problemas na era Mubarak.

Entretanto, os cristãos tinham permissão de dirigir suas próprias atividades, imprimir e distribuir Bíblias e materiais cristãos em seus templos e entre seus fiéis, e também podiam ter algum acesso à comunidade cristã fora do Egito.
A única comunidade de crentes severamente reprimida no Egito, e não autorizada à existência, são os crentes com passado muçulmano. Um número desconhecido de pessoas nascidas em berço islâmico escolheu seguir a Cristo, mas não têm sido autorizadas a fazê-lo legalmente.

A carteira de identidade egípcia contém a religião da pessoa e, para mudar a religião no documento de identidade, há uma direção de mão única, ou seja: cristãos podem mudar sua identidade para o Islã, mas é impossível mudar do islã para o cristianismo. Este é um problema generalizado no mundo islâmico.

A revolução da Praça Tahrir foi saudada com efusão por muitos líderes de igrejas protestantes do Egito, pois eles acreditam que haverá mais democracia e mais respeito pela liberdade religiosa. No domingo, 6 de fevereiro, três líderes de igrejas protestantes visitaram a Praça Tahrir, pregaram a Palavra e até fizeram parte do noticiário da Al Jazeera.

Apesar disso, a grande pergunta é: o que acontecerá depois de Mubarak? O Egito se tornará uma verdadeira democracia, com respeito aos direitos das minorias, ou os islamitas tomarão o poder? A lei da sharia será introduzida? A Igreja será ainda mais marginalizada do que sob o regime de Mubarak?

O mais perturbador é que, até aqui, nenhum líder modernista e moderado emergiu do caos. Nas eleições, a Fraternidade Islâmica poderá vencer com mais de 50% dos votos e, então, transformar o Egito numa segunda Arábia Saudita – uma nação extremamente conservadora, que promove o islamismo intolerante e o desrespeito aos direitos humanos.


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